Caio Borges leva cores, natureza e sensibilidade ao Espaço Cultural Toque de Arte
“Sem parar, encontro meu descanso. No trabalho, vou me descobrindo e colorindo meus jardins com diversão. Se me sinto cansado no descanso, é porque na pintura vejo o prazer de viver. Embalado por esse tema, passeando no meu jardim, faço dele meu presente. Hoje, com mais tranquilidade, faço da natureza minha casa”.
A frase que compõe a descrição de uma das obras da série Jardins revela muito da essência da produção de Caio Borges. Esse universo de cores, formas e sentimentos passou a ocupar o Espaço Cultural Toque de Arte da Unesc a partir da noite desta quarta-feira (5/8), na 154ª exposição realizada pelo equipamento cultural, convidando o público a percorrer diferentes momentos da trajetória do artista içarense. As obras conduzem o visitante por uma produção marcada pela inquietude criativa, pela experimentação e pela permanente reinvenção artística.
Das figuras humanas coloridas e geométricas aos grandes painéis inspirados na Mata Atlântica, flores e jardins, cada fase revela um novo olhar do artista sobre a vida, sempre conduzido por pinceladas expressivas, cores vibrantes e pela convicção de que a arte também pode ser um caminho para despertar esperança e sensibilidade.
Arte que escolhe a leveza
O conceito da exposição também orienta a maneira como Caio compreende a própria arte. Embora não tenha participado presencialmente da abertura, Caio Borges deixou mensagem em vídeo para explicar o que move a própria produção artística. “Procuro usar a pintura, a escultura e o desenho sempre de uma forma positiva. Acredito que tudo aquilo que penso sobre a vida deve ser colocado com leveza. Muitos artistas escolhem caminhos mais dramáticos, o que também considero importante, mas eu busco transmitir simplicidade, satisfação e o prazer de viver.”, salientou.
Essa filosofia aparece de forma evidente nas obras da série Jardins, produzida em 2025. Nelas, flores, vegetação e cores intensas representam um momento de contemplação e reencontro com a natureza. Nas esculturas em cerâmica, produzidas em 2005, o olhar volta-se para a figura humana. Corpos sinuosos, movimentos delicados e formas orgânicas revelam o interesse permanente de Caio em estabelecer uma conexão emocional com quem observa.
“A Unesc é cultura, é arte. Isso faz parte da educação. Milhares de pessoas circulam diariamente pela Universidade e muitas turmas irão visitar esta exposição, conhecer as diferentes fases do artista e refletir sobre a sensibilidade presente em cada obra. Esse é o papel de uma Universidade Comunitária”, ressaltou a diretora de Extensão, Cultura e Ações Comunitárias, Sheila Martignago Saleh.
Amizade construída
Para a coordenadora do Setor de Arte e Cultura da Unesc e do Espaço Cultural Toque de Arte, Amalhene Baesso Reddig, a Lenita, receber Caio Borges representa a concretização de uma aproximação iniciada há anos. O contato começou durante a pandemia, pelas redes sociais, e evoluiu até que o artista aceitasse expor na Universidade.
“Se aproximar de um artista precisa ser um exercício de muito respeito. Eu admirava profundamente o trabalho do Caio e, aos poucos, fomos conversando e construindo essa confiança. Hoje posso dizer que somos amigos, e isso torna esta exposição ainda mais especial”, afirmou.
Trajetória que atravessa fronteiras
Autodidata, Caio Borges nasceu em Içara, em 1958. A inquietação artística o levou de Florianópolis ao Rio de Janeiro e, posteriormente, a galerias e exposições em diversos países, como Portugal, Itália, Grécia, França, Estados Unidos e Rússia.
Em 2018 estabeleceu-se nos Estados Unidos, onde abriu galeria e ateliê em Miami. Posteriormente retornou ao Brasil por questões de saúde, mantendo representantes responsáveis pela divulgação e comercialização das obras no exterior.
Outro capítulo importante dessa trajetória ocorreu em 2020, quando doou mais de 180 obras ao município de Içara. O acervo passou a integrar uma galeria permanente dedicada ao artista, aberta à visitação pública e utilizada por escolas, universidades e pesquisadores.
Convite para contemplar
A presidente da Fundação Cultural de Criciúma, Cristiane Maccari Uliana Zappelini, enfatizou que a obra de Caio Borges carrega a identidade da região e alcança reconhecimento internacional sem perder as raízes. “Quando olhamos para uma obra dele, sentimos alegria. Ele levou a identidade da nossa terra para o Brasil e para o mundo. É um artista que conseguiu viver da própria arte e mostrar que a cultura também gera desenvolvimento”, disse.
A presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE), Camila Jacoby enfatizou o impacto da exposição para a comunidade acadêmica. “É inspirador perceber que um artista da nossa região conquistou reconhecimento internacional. Espero que essa trajetória incentive muitos estudantes e fortaleça ainda mais o olhar para a arte dentro da Universidade”, falou.
A exposição no Espaço Toque de Arte na Unesc permanece aberta à visitação até 7 de outubro, das 8h às 22h. “Temos liberdade para criar, experimentar e fazer da Universidade um espaço vivo de cultura. Ainda há muitos artistas que passarão por aqui, muitos que ainda vão nascer e encontrar neste espaço um lugar para mostrar seus trabalhos”, conclui Lenita.
A esposa de Caio e uma das organizadoras da exposição, Ceneli Freitas, enfatizou que o momento de abertura foi marcado pela presença de muitas pessoas que admiram o trabalho do artista, assim como daquelas que apreciam arte em geral. “Temos um agradecimento especial à Unesc, nas pessoas da professora Lenita e sua querida equipe da coordenação de Arte e Cultura que tornaram possível essa exposição. A mostra conta um pouco da trajetória do Caio, em suas várias fases, nominada dessa forma, pois percorre os quase 50 anos de trabalho em que ele transita entre os figurativos, obras sacras, desenhos P&B, flores e jardins”, citou.
O curador e avaliador da exposição, Zé Ronconi, reforçou que Caio Borges é um artista local de reconhecimento internacional e que seu trabalho, muito bem representadas no Espaço Toque de Arte, apresentam uma trajetória que perpassa os grandes momentos da arte, especialmente na arte brasileira.
“Com belíssimo trabalho autoral e forte inspiração nos grandes nomes da arte moderna e contemporânea, Caio traz toda a ânsia de vida que habita em si, expressa nas telas e esculturas, de forma muito potente. Fazer a expografia da exposição em parceria com Celeni sua esposa e a professora Lenita, me proporcionou um verdadeiro “mergulho” na arte do “menino” Caio Borges, nos seus traços e cores, leves e profundos”, relatou.
Música chega onde o afeto é mais necessário
Além da abertura da exposição, a arte ganhou outra forma de expressão durante a noite. A Unesc lançou o projeto Serenata em Canto, iniciativa que reúne professores, colaboradores e estudantes dispostos a levar música a hospitais, instituições de longa permanência para idosos e outros espaços de cuidado.
A proposta é transformar a música em um gesto de aproximação humana, criando encontros marcados pela sensibilidade e pela escuta. O repertório será interpretado pelos próprios integrantes da comunidade acadêmica, que emprestam vozes e instrumentos para tornar mais leves os ambientes visitados.
“Queremos cantar onde a arte pode fazer diferença na vida das pessoas. Se quisermos, faremos serenatas em hospitais, em instituições de longa permanência, em praças e onde mais houver espaço para levar afeto por meio da música”, explicou Lenita.






