Novo tarifaço dos EUA aponta União Europeia como oportunidade de diversificação comercial para negócios brasileiros
Os Estados Unidos voltarão a impor uma tarifa de 25% sobre produtos brasileiros, medida que deve atingir com maior intensidade as exportações de Santa Catarina e São Paulo, segundo a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil). Diante da necessidade de reduzir a dependência do mercado norte-americano, a União Europeia surge como uma das principais alternativas para a diversificação comercial, favorecida pelo acordo com o Mercosul e pela proximidade cultural e linguística entre Brasil e Portugal.
O novo tarifaço entra em vigor na próxima quarta-feira, 22 de julho, e a ApexBrasil estima que 2.375 produtos vendidos aos Estados Unidos serão atingidos, afetando US$ 7,2 bilhões em exportações no país. Esse cenário amplia a discussão sobre a vulnerabilidade de empresas que concentram parte relevante de suas vendas em um único país, visto que mudanças tarifárias definidas no exterior podem alterar preços, reduzir competitividade, comprometer margens e afetar contratos já estabelecidos.
Segundo o advogado especialista em negócios internacionais, Bruno Albuquerque, a sobretaxa também deve ser compreendida como um alerta estratégico. “O tarifaço não representa apenas um aumento de custo para o exportador. Ele evidencia o risco de concentrar parte importante da operação em um único mercado. Quando uma decisão externa torna a atividade imprevisível, a diversificação deve integrar o planejamento e a proteção do próprio negócio”, afirma.
Portugal como porta de entrada
Nesse contexto, a União Europeia ganha relevância como destino potencial para empresas brasileiras. A própria ApexBrasil incluiu a União Europeia entre os mercados prioritários para a diversificação das exportações brasileiras. Nesta sexta (17), a agência divulgou que prepara um plano de R$ 130 milhões, com investimentos públicos e privados, voltado à busca de novos compradores, especialmente para os produtos afetados pela sobretaxa norte-americana.
Segundo Albuquerque, Portugal pode exercer papel importante nesse movimento. Além de integrar o bloco, o país mantém proximidade linguística e cultural com o Brasil, fatores que podem facilitar as primeiras relações comerciais. A proximidade, entretanto, não elimina a necessidade de planejamento. O especialista alerta que exportar para a Europa ou estabelecer uma operação no bloco exige análise tributária, contratual, logística, financeira e regulatória.
“A União Europeia não deve ser tratada como uma solução automática, assim como Portugal não pode ser visto como um atalho. Antes da expansão, a empresa precisa avaliar a viabilidade comercial, os custos e a estrutura jurídica e tributária necessária. Internacionalizar com planejamento pode reduzir dependências, mas agir apenas em reação à crise pode criar riscos”, explica.
A entrada no mercado europeu também não exige, necessariamente, a constituição imediata de uma empresa no exterior. A operação pode ocorrer por exportação direta, distribuição, representação comercial, parcerias locais ou instalação de uma estrutura própria, conforme os objetivos e o planejamento de cada negócio.
Texto: Shaiane Corrêa




