Lab Cidades, da Unesc, desenvolve projeto de reestruturação do Colegião

Lab Cidades, da Unesc, desenvolve projeto de reestruturação do Colegião

Uma escola pode ser feita de concreto, salas, corredores e quadras, mas também são constituídas por memórias, como é o caso da EEB Sebastião Toledo dos Santos, o Colegião, em Criciúma. Por seus espaços passaram gerações de estudantes, professores e profissionais que ajudaram a construir a história da cidade e do Sul catarinense. Agora, essa estrutura histórica conta com um projeto de reestruturação elaborado pela equipe do Lab Cidades, da Unesc.

O trabalho apresentado oficialmente nesta sexta-feira (7/8) reúne soluções para diferentes áreas da unidade escolar, desde a estrutura física e as instalações até acessibilidade, climatização, áreas esportivas e espaços de convivência. O projeto nasceu a partir de um diagnóstico realizado pela equipe do Lab Cidades dentro da própria escola.

“Quando investimos em uma escola, não estamos apenas transformando um prédio, mas criando condições para mudar trajetórias e abrir novas possibilidades para milhares de estudantes. O Colegião carrega uma história que merece ser preservada, mas também precisa estar preparado para o futuro. Por isso, este projeto é tão significativo: ele une memória, conhecimento técnico e planejamento para entregar à comunidade uma escola mais acessível, acolhedora, segura e preparada para as próximas gerações”, afirma a secretária de Estado da Educação e reitora licenciada da Unesc, Luciane Bisognin Ceretta.

“É também muito simbólico que este projeto tenha sido construído com a participação da Unesc. Como Universidade Comunitária, há o compromisso de colocar o conhecimento que produzimos a serviço das necessidades do nosso território. Quando Ensino, Pesquisa, Extensão e Inovação se unem para responder a uma demanda concreta da comunidade, a Universidade cumpre uma de suas funções mais importantes: transformar conhecimento em soluções que melhoram a vida das pessoas. E ver esse conhecimento contribuir para a transformação de uma escola tão importante para Criciúma e para tantas gerações torna esse projeto ainda mais especial”, acrescenta.

 

A participação da Universidade Comunitária na elaboração do projeto coloca em evidência uma das funções que o conhecimento produzido dentro da Unesc pode assumir: transformar conhecimento técnico em soluções para demandas concretas da sociedade. No Lab Cidades, profissionais e acadêmicos de diferentes áreas atuam de forma integrada no desenvolvimento dos projetos.

“Este projeto representa exatamente aquilo que uma Universidade Comunitária deve fazer: colocar conhecimento, pesquisa e competência técnica a serviço da sociedade. O Lab Cidades reúne profissionais de diferentes áreas e transforma esse conhecimento em soluções concretas para espaços que têm importância para a comunidade”, ressalta a reitora em exercício, Gisele Silveira Coelho Lopes.

A proposta considera não apenas a aparência da edificação, mas a forma como os ambientes são utilizados. Antes de desenhar as soluções, os profissionais analisaram os espaços e ouviram as demandas apresentadas pela direção e pela comunidade escolar, considerando tanto a estrutura da edificação quanto a forma como estudantes, professores e funcionários utilizam os ambientes.

Diagnóstico transforma necessidades em soluções

O resultado desse processo é um projeto que contempla aproximadamente oito mil metros quadrados de área construída e cerca de 4,3 mil metros quadrados de área externa. A escola possui três pavimentos, com salas de aula, laboratórios, setores administrativos, biblioteca, auditório, refeitório, cozinha, espaços de atendimento, banheiros, quadras e ginásios.

“Para desenvolver o projeto, nós visitamos cada ambiente e cada espaço externo e procuramos entender as demandas, as dores e as necessidades apresentadas pela comunidade escolar”, explica a arquiteta, Maria Fernanda Carvalho, responsável pelo projeto de arquitetura educacional do Lab Cidades.

Entre as intervenções previstas estão a renovação do telhado, substituição de portas e janelas, recuperação de revestimentos, tratamento de patologias e adequações nas instalações elétricas e hidráulicas. O projeto também amplia as condições de acessibilidade, com elevador, mapa tátil e novas rotas acessíveis, além de contemplar a climatização do refeitório, melhorias no auditório, reforma dos ginásios, arquibancadas nas áreas esportivas, revitalização das fachadas e soluções para drenagem e reaproveitamento da água da chuva.

A complexidade do projeto exigiu a atuação de uma equipe multidisciplinar. Arquitetos, engenheiros, profissionais de orçamento e acadêmicos participaram da elaboração. O coordenador do Lab Cidades, Jóri Ramos, enfatiza que o resultado é fruto de um trabalho que exigiu dedicação e integração entre diferentes áreas. “Foi um trabalho muito intenso, que envolveu dedicação em diferentes momentos, inclusive aos sábados, domingos e à noite”, destaca.

Projeto técnico com memória afetiva

Enquanto os profissionais apresentavam plantas, imagens em 3D e soluções técnicas, a gerente Regional de Educação, Ronisi Guimarães, acompanhava a apresentação com uma história pessoal ligada ao espaço.

“Quem está feliz hoje é a menina que cresceu no Colegião. Minha mãe foi diretora dessa escola durante 18 anos e minha sogra foi a primeira diretora do Colegião. Então eu tenho uma memória afetiva muito grande, porque cresci dentro dessa escola. Eu brincava de amarelinha nesse piso”, relata.

A lembrança ajuda a dimensionar o significado do projeto para além da estrutura física. Para Ronisi, a reestruturação representa a possibilidade de preservar a importância histórica da instituição e, ao mesmo tempo, preparar os espaços para as próximas gerações. “O Colegião merece. É uma escola simbólica no coração de Criciúma”, afirma.

O diretor da unidade escolar, Aloncio Almes Cechinel, também destaca a relação estabelecida entre a instituição e a equipe responsável pelo projeto. Para ele, a possibilidade de apresentar as necessidades e construir soluções em conjunto fez diferença no resultado. “O atendimento foi maravilhoso com a gente. Desde o primeiro contato, com muito carinho e simpatia, até a forma como todas as nossas ideias foram recebidas. Tudo aquilo que a gente pontuava era considerado”, afirma.

Texto e foto: Marciano Bortolin