Governo de Criciúma assina protocolo para implantação de acessibilidade em banheiros públicos para pessoas ostomizadas

Governo de Criciúma assina protocolo para implantação de acessibilidade em banheiros públicos para pessoas ostomizadas
Iniciativa estabelece normas para assegurar higiene, segurança e autonomia desses pacientes nos espaços públicos da cidade

O Governo de Criciúma, por meio da Procuradoria-Geral do Município (PGM), e o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) assinaram, nesta segunda-feira (17), o Protocolo para Implementação de Iniciativa em Política Pública de Acessibilidade em Banheiros de Uso Público para Pessoas Ostomizadas. A iniciativa visa estabelecer diretrizes para adequar e padronizar sanitários públicos acessíveis a elas, garantindo condições de higiene e segurança. O ato aconteceu no Salão Ouro Negro, no Paço Municipal Marcos Rovaris.

 

A medida cumpre o Código de Obras de Criciúma e a Lei Municipal nº 8.406/2023, que tem como um de seus objetivos conscientizar e sensibilizar os estabelecimentos públicos e privados para adaptarem seus banheiros para as necessidades de pessoas ostomizadas.

 

“A assinatura desse protocolo é mais um passo importante para tornar Criciúma uma cidade cada vez mais humana e acessível. Estamos falando de garantir dignidade, autonomia e segurança para pessoas que muitas vezes deixam de frequentar espaços públicos por falta de estrutura adequada. Nosso compromisso é transformar essa realidade e servir de referência para outras cidades”, ressaltou o prefeito de Criciúma, Vagner Espindola.

 

Segundo a Secretaria de Saúde de Criciúma, a cidade conta com 132 pessoas ostomizadas cadastradas na rede municipal de saúde. Um levantamento realizado com 71 desses pacientes revelou que 94,4% deles usaria banheiros públicos se fossem adaptados. Conforme apontado pelos usuários na pesquisa, a ordem de prioridade dos locais para instalação é: hospitais (70%), praças e parques públicos (64,3%), Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) (62,9%), Unidades Básicas de Saúde (UBSs) (58,6%), terminais de ônibus (40%) e na rodoviária (35,7%).

 

O promotor de Justiça do MPSC, Douglas Roberto Martins, destacou que o protocolo inicia um processo construído em conjunto com os próprios usuários. “A participação deles foi essencial para entendermos a real necessidade e garantirmos que a solução seja efetiva. Esperamos que o projeto-piloto do Terminal Central seja validado rapidamente para avançarmos com a implementação nos demais espaços”, explicou.

 

Projeto-piloto no Terminal Central de Ônibus

 

Inicialmente, conforme o protocolo assinado, o Município de Criciúma executará a primeira adaptação, em caráter de projeto-piloto, no banheiro acessível do Terminal Central de Ônibus de Criciúma, local escolhido em razão do alto fluxo de pessoas e de sua centralidade na malha urbana. A obra seguirá especificações que visam harmonizar as necessidades de pessoas ostomizadas com as normas de acessibilidade existentes para pessoas com deficiência, especialmente usuários de cadeira de rodas.

 

A presidente da Associação de Ostomizados de Criciúma, Marlene Ávila de Souza, reforçou a importância da iniciativa. Segundo ela, a ausência de estrutura adequada muitas vezes impede a circulação e causa constrangimentos aos usuários. “Os banheiros adaptados representam mais privacidade e autonomia. Há muito tempo lutamos por isso, e essa assinatura é uma luz no fim do túnel”, afirmou.

 

O vereador Obadias Benones, autor da Lei Municipal sobre conscientização das pessoas ostomizadas, ressaltou o impacto social da ação. “Pode parecer pequeno para alguns, mas, para quem vive essa realidade, faz toda a diferença. Estamos falando de dignidade e inclusão. É um momento histórico para Criciúma”, destacou.

 

Cuidados especiais para pessoas ostomizadas

 

Pessoas ostomizadas são aquelas que passaram por uma cirurgia para criação de um estoma — uma abertura no abdômen que permite a eliminação de fezes ou urina, utilizando bolsas coletoras. Esses pacientes são enquadrados como pessoas com deficiência física, conforme o Decreto Federal nº 5.296/2004, o que impõe ao Poder Público a obrigação de garantir adaptações estruturais e a acessibilidade em edificações de uso público ou coletivo.

 

Essa condição exige cuidados específicos, principalmente em relação à higiene e ao manuseio dos equipamentos, tornando essencial a existência de banheiros adaptados, com superfícies adequadas, apoios e locais seguros para troca e higienização.

 

 

Texto e foto: Eduarda Salazar