Unesc lança PET Saúde Clima e amplia atuação de programa que já impactou milhares de pessoas
A Unesc iniciou, nesta sexta-feira (14/8), um novo capítulo de uma trajetória que conecta Universidade, Sistema Único de Saúde (SUS) e comunidade. Durante o IV Encontro Anual do PET-Saúde Unesc, realizado no Auditório Ruy Hülse, foi lançado oficialmente o PET Saúde Clima, edição que, entre 2026 e 2028, terá como foco a relação entre as mudanças climáticas, as emergências ambientais e a saúde da população.
O novo ciclo nasce a partir da experiência acumulada pelo Programa de Educação pelo Trabalho para a Saúde (PET-Saúde), que chegou à sexta edição consolidando uma ampla estrutura de ensino, pesquisa, extensão e atuação nos serviços de saúde. Desde 2013, 520 bolsas já foram concedidas, envolvendo 27 cursos da Universidade. Atualmente, a estrutura do programa reúne 370 bolsistas, 40 preceptores, 40 tutores, 16 orientadores de serviço e 19 grupos de trabalho.
Para o coordenador-geral do PET-Saúde Unesc, professor Rafael Amaral, a nova edição representa a evolução de um trabalho que tem como característica transformar conhecimento em respostas concretas para o SUS.
“Chegamos ao PET Saúde Clima com uma trajetória muito consistente, construída dentro dos serviços, junto aos profissionais, estudantes e à comunidade. Agora temos um novo desafio: compreender como as mudanças climáticas afetam diretamente a saúde das pessoas e ajudar a preparar o SUS e os nossos municípios para responder a essa realidade. Queremos produzir conhecimento, dados e tecnologias que possam efetivamente orientar decisões e tornar nossos territórios mais resilientes”, destaca Amaral.
Conhecimento que chega à população
A prestação de contas apresentada durante o encontro dimensionou os resultados alcançados pelo PET-Saúde. O programa contabiliza 98 artigos publicados em periódicos científicos, além de 52 trabalhos submetidos e 12 já aceitos para publicação. Também foram produzidos sete capítulos de livros, três cartilhas, duas notas técnicas e um protocolo técnico.
A produção acadêmica chegou ainda a congressos e jornadas científicas por meio de 1.042 trabalhos e apresentações, entre resumos, apresentações orais, pôsteres e trabalhos completos, além da conquista de uma premiação nacional.
Mas é fora dos muros da Universidade que uma parcela importante desses resultados pode ser percebida. As ações de extensão do PET alcançaram diretamente 14.999 pessoas, com mais de 25 mil materiais educativos distribuídos, 99 ações educativas, 11 eventos comunitários e oito campanhas de saúde. Na rede assistencial, 9.457 usuários do SUS foram beneficiados diretamente, 1.121 trabalhadores foram capacitados e 46 Unidades Básicas de Saúde participaram das ações.
A reitora em exercício da Unesc, Gisele Coelho Lopes, ressalta que os números demonstram a capacidade da Universidade de integrar formação acadêmica e transformação social.
“O PET-Saúde traduz de maneira muito concreta aquilo que entendemos como missão de uma Universidade Comunitária. O estudante aprende dentro da realidade, o profissional do SUS participa da construção do conhecimento e a comunidade recebe os resultados desse trabalho. Quando reunimos ensino, pesquisa, extensão e serviço para responder a problemas reais, a Universidade cumpre seu papel de transformar vidas e contribuir para o desenvolvimento do território”, afirma Gisele.
Tecnologia feita no SUS e para o SUS
Outro eixo destacado no encontro foi o desenvolvimento tecnológico. A partir de demandas reais identificadas nos serviços públicos de saúde, o programa contabiliza nove soluções digitais entregues, além de sete bases de dados integradas, quatro ferramentas digitais, três sistemas desenvolvidos, um dashboard de monitoramento e um aplicativo. As soluções já fazem parte da rotina de unidades de saúde parceiras.
A pesquisa aplicada também avança com 49 coletas de dados realizadas ou em andamento, 16 projetos de pesquisa em execução, seis instrumentos de pesquisa validados, quatro bancos de dados estruturados e três pesquisas multicêntricas.
Um novo desafio: clima e saúde
É sobre essa base que começa o PET Saúde Clima. A nova edição contará com 140 bolsas, somadas a outras 40 bolsas de contrapartida, no ciclo 2026–2028. A proposta é formar estudantes e profissionais dentro dos serviços e desenvolver pesquisa aplicada, tecnologia e extensão voltadas ao enfrentamento das emergências climáticas e ambientais.
O programa parte de uma realidade cada vez mais presente nos territórios: enchentes, secas e ondas de calor pressionam os serviços de saúde e atingem com maior intensidade as populações mais vulneráveis. Por isso, a nova edição pretende contribuir para que o SUS disponha de profissionais, dados, pesquisas e tecnologias preparados para responder a esse cenário.
Reitora licenciada da Unesc e atual secretária de Estado da Educação, Luciane Bisognin Ceretta acompanhou a consolidação do PET-Saúde ao longo de sua trajetória e destaca a capacidade do programa de antecipar desafios que impactam diretamente a sociedade.
“A Universidade precisa estar conectada aos grandes desafios do seu tempo. Quando falamos em mudanças climáticas, não estamos tratando apenas do meio ambiente, mas de saúde, qualidade de vida, desigualdades e da capacidade das cidades de protegerem as pessoas. O PET Saúde Clima coloca a ciência, a formação dos nossos estudantes e a força da Universidade a serviço da construção de comunidades mais preparadas e resilientes”, pontua Luciane.
Sete linhas de pesquisa e atuação nos territórios
O PET Saúde Clima será estruturado a partir de três grandes eixos: cuidado no território e vigilância em saúde; acesso à atenção especializada e integralidade do cuidado; e comunicação e inovação em saúde, todos orientados pela equidade e pela resposta às emergências climáticas e ambientais.
As pesquisas serão desenvolvidas em sete linhas, abrangendo tecnologias digitais e resiliência climática; Saúde Única, biodiversidade e desenvolvimento sustentável; gestão de dados, inteligência artificial e monitoramento climático; vulnerabilidade e equidade; cuidado em emergências; inovação e startups; além de políticas públicas, governança e transformação digital para a saúde climática.
Na prática, o trabalho estará organizado em seis grupos temáticos, além de um grupo integrado de comunicação. Entre os temas estão Educação em Saúde e Clima; Produção do Cuidado no Território; Vigilância em Saúde; Saúde Mental e Deslocamentos Climáticos; Inovação em Saúde; e dados, tecnologia e pesquisa.
Com o novo ciclo, a Unesc amplia uma trajetória iniciada em 2013 com apenas 30 bolsas e que hoje reúne centenas de estudantes e profissionais em torno de um mesmo propósito: aproximar conhecimento científico, formação acadêmica e necessidades reais da população.






